Vera Fernandes

Saí da maternidade e disse “Fernando, nós temos dois filhos. Dois!”, Vera Fernandes

Uma conversa sobre maternidade e trabalho. Sobre deixar quem mais se gosta para fazer o que mais se gosta. Uma conversa sobre o bichinho da rádio e a paixão pelos ouvintes. Vera Fernandes, 40 anos, faz parte da equipa que anima as manhãs de muitos portugueses.

Vera, já apresentaste o Henrique ao público. Podes apresentar-nos também?

Com apenas alguns dias, já dá para perceber que o Henrique vai ser bem mais tranquilo que a irmã. Não chora muito, é muito sereno e cumpre os 3 básicos: dorme, come e suja a fralda. Sabe tão bem ter um recém-nascido em casa, a energia dele é imensa. Às vezes, tenho a sensação de que o meu peito vai explodir. O parto foi muito rápido e estávamos consideravelmente menos nervosos do que da primeira vez. Houve um comentário de uma ouvinte que me ficou na memória, “os primeiros filhos são de vidro, os outros de borracha”. A verdade é que lidamos bem melhor com um segundo.

E como reagiu a Francisca ao Henrique?

Decidi partilhar o vídeo deste encontro nas minhas redes sociais. Ela estava tão, mas tão feliz. Só dizia “Bebé, bebé!” e ria-se. Imaginei várias vezes este momento e foi, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais bonitos da minha vida.

O teu marido é espanhol. Podes contar-nos como se conheceram e perceberam que estavam apaixonados?

Conhecemo-nos na praia, através de uma amiga. Na verdade, eu ia lá perceber se seria “uma boa aposta para ela” e começámos a falar. Nesse dia, tinha apenas 10 km de autonomia no carro e pedi-lhe para ele vir atrás de mim quando saímos da praia. À saída do parque de estacionamento das praias de São João é sempre uma aventura nos dias mais quentes e, naquele dia, ia a conversar e bati no carro da frente, mas não cheguei a ficar sem gasolina! Não aconteceu nada, estávamos quase parados mas foi o suficiente para ele pensar que eu era “completamente chanfrada”. Nos dias seguintes, fomos falando no facebook, trocámos números, fomo-nos conhecendo e, sem sabermos muito bem, começámos a construir algo. Lembro-me de sair da maternidade e de dizer “Fernando, nós temos dois filhos. Dois”.

Lá em casa falam português ou espanhol? E os hábitos?

Ele já cá está há muitos anos e, portanto, já fala muito bem português. Eu e ele falamos em português e, com a Francisca, eu falo em português e ele em espanhol. Em relação aos hábitos, dormimos a sesta sempre que podemos (mas isto eu já fazia antes por causa do meu horário), cozinhamos com alguma frequência – paella, tortilha e fazemos muitas vezes tapas para os amigos. Há dois anos, o Natal foi cá em casa, as entradas foram espanholas e os pratos principais foram portugueses.

Num espaço de um ano, mudaste quatro vezes de rádio e tiveste uma filha. A tua vida continua a mudar. É bom?

A vida está sempre a mudar e para melhor, acho que é assim que sou feliz. Não consigo parar, estou sempre a inventar coisas e quero sempre experimentar novidades, sejam elas restaurantes, escapadelas, saídas inusitadas, costura, desporto, roupa, tudo. Tudo o que estagna acaba por degradar-se e não quero que a minha vida se torne numa rotina insuportável.

Comercial – recordas-nos o teu primeiro dia na Comercial?

Os primeiros dias foram uma espécie de warm up, quando me mudei para a Rádio Comercial já tinha férias marcadas e não podia deixar de ir, principalmente depois de um ano tão atarefado. Comecei em Agosto, só com o Vasco Palmeirim, e só em Setembro é que arranquei com a equipa completa. Lembro-me de entrar no estúdio – estava o Pedro Ribeiro no comando e à volta, Vasco Palmeirim, Nuno Markl, Ricardo Araújo Pereira e César Mourão – e pensar: o que é que eu estou aqui a fazer? Sentia-me um pintainho. Agora, dois anos depois, já estou integrada e feliz.

Quando é que vais voltar – da primeira vez (maternidade) foi difícil o regresso?

A Francisca nasceu na mesma altura que o Henrique (ela faz anos dia 6 de Outubro e ele dia 9 de Outubro) e regressei em Fevereiro, tal como vai acontecer agora. Estava dividida entre o “não querer deixar o meu bebé” e o “ter de voltar à rádio que adoro”. O Fernando mandou-me um vídeo com a Francisca na cadeirinha cuja legenda era: vamos mamã, boa sorte! Eu estava no carro a chorar, ia começar a trabalhar na M80. Quando saí do carro, a primeira pessoa que eu vi, foi o Ricardo Araújo Pereira e pensei: isto é um sinal Divino! Vai correr tudo bem! E agora tenho-o muitas vezes à minha frente a ser genial. É a vidinha a acontecer.

Na rádio comercial, conta-nos alguns dos momentos mais divertidos que passaram nas manhãs?

Temos uma rubrica que se chama “Um de nós Já” e aqui cada um conta uma história. Só uma das histórias é verdadeira. Foi assim que anunciei que estava grávida. Disse que tinha ligado para as cegonhas espanholas para encomendar um bebé e, quando disse que a minha história era a verdadeira, foi um delírio!! Toda a gente a mandar mensagens! Também fizemos emissão na IKEA depois ter ter dormido lá, estava tudo muito expectante para ouvir como foi a experiência.

Há ocasiões em que chegam presentes à rádio – o quê por exemplo, em que contexto?

Comida, muita comida. Recebemos diariamente muitos bolos. Eu fecho sempre a boca, caso contrário, já estaria um pote! O Henrique também não se pode queixar com todos os presentes que tem recebido de empresas e particulares. Uma ouvinte fez-lhe um casaquinho e umas botinhas de lã que estão no top 10 das minhas peças favoritas.

E os momentos mais embaraçosos?

Felizmente, não se nota cada vez que coro na rádio. Sim, eu coro! Acho que já não tenho idade para isto, mas acontece. Ou porque me elogiam ou porque me dizem algo que não estou à espera. Momentos embaraçosos? Não foi muito embaraçoso mas teve imensa piada. Disse ao Pedro que fiz um piercing na minha adolescência e que tinha ficado com dois buracos. Ele respondeu com imensa graça dizendo “isso veio de origem!”.

Quais são as perguntas que o público mais te faz?

Como é que consegues acordar tão cedo? Como aguentas? Como é estar rodeados de tantos homens? Como é trabalhar na rádio? Como é que eles são?

Disseste numa entrevista que o RAP é uma espécie de Deus da comunicação. Como é trabalhar com ele?

Dizemos isto vezes sem conta: quando ele está, toda a gente brilha! É muito inteligente, generoso, genuíno e adoro a sua parte infantil. É sempre um prazer partilhar o estúdio com ele.

Rádio – o que te continua a apaixonar na rádio?

O impacto que esta tem nas pessoas. Acontece com muita frequência ser abordada por ouvintes que só me querem dizer obrigada. Obrigada por nos ajudarem a aguentar as manhãs. Sinto que somos uma espécie de “muleta” que está sempre ali à espera no carro, principalmente nas manhãs mais difíceis.

 

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