Júlia no O Programa da Cristina

Ouvir o corpo

Sobre as minhas revelações de hoje no O Programa da Cristina.

Monólogos. Tínhamos mais seis meses de espetáculos em 2020. Além de Lisboa, esperavam-nos 12 cidades em digressão. É maravilhoso percorrer o país e contactar com estes públicos tão calorosos, através dos palcos, como já tive oportunidade de partilhar.
Acontece que esta sequência, sem fôlego, de teatro-programa, é extremamente cansativa. E no Natal, o corpo fez-me um aviso.

Adormeci após o almoço do dia de Natal. E quando acordei, não conseguia levantar-me da cadeira. Sem ter cometido excesso algum (aliás, foi um Natal gastronomicamente espartano, sem álcool e praticamente sem doces), acordei sem a capacidade de andar. Simplesmente não conseguia equilibrar-me nas pernas. Embora assustada, pensei que tudo se resolveria no dia seguinte, após uma noite de descanso. Tal não aconteceu. Dado o historial clínico na família (a minha mãe sofreu um AVC), temi o pior, e trôpega, com o apoio do meu marido, desloquei-me ao hospital.

Uma subida vertiginosa da pressão arterial como resultado de um sem número de fatores (stress, trabalho em excesso, preocupações) foi avaliada pela equipa e foi o sinal de que… abrandar era urgente.

Neste momento estou a ser acompanhada e vigiada. E isso fez-me olhar ao espelho e pensar: estarei fisicamente preparada para mais uma digressão dos Monólogos. Vou fazer 58 anos. Será este um sinal ou não para abrandar? Acho que sim. Por isso esta minha decisão.

Mas os Monólogos continuam. Agora com a Teresa Guilherme no palco. O que faz sentido.

Há 19 anos fui a primeira pessoa a ser convidada para apresentar o Big Brother. Não aceitei. Apresentou a Teresa. Quando a Teresa saiu da TVI, passei eu a apresentar os reality shows da estação. Foi a Teresa que me substituiu na Casa dos Segredos. E agora, mais uma passagem de testemunho. A esta nova equipa, eu desejo muito sucesso. A peça é fantástica. Digamos que é também sobre isto de que vos falo: de saber ouvir o nosso próprio corpo.

A Minha Lisboa

A minha Lisboa

Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo”. Eu tinha que citar Pessoa. Só para dizer que a minha Lisboa secreta (ainda) é um privilégio.