Amor sem fronteiras

Evelia Reyes e Brian Houston vivem uma história de amor no mínimo curiosa. Ele não pode entrar no México, por motivos que não conhecemos. Ela não tem visto para entrar nos Estados Unidos da América. No passado fim de semana o casal aproveitou a abertura da porta de uma vedação que divide os dois países para casar-se em plena fronteira.

Na fronteira entre os Estados Unidos da América (E.U.A.) e o México há uma porta que só se abre durante uma hora, uma vez por ano, para que famílias divididas possam encontrar-se em circunstâncias excecionais. Chamada de “Porta da Esperança”, este portão permite a pessoas legalmente impedidas de entrar num destes países de rever a família sem receio de deportação.

Evelia Reyes, residente no México, e Brian Houston, residente nos E.U.A., foram uma das 12 famílias selecionadas para a abertura do portão pela Border Ambles, uma organização sem fins lucrativos com base em San Diego que defende os direitos dos migrantes e outras questões relacionadas com a fronteira México-EUA. Vivem divididos pela vedação de metal que separa os Estados Unidos do México, mas no passado fim de semana aproveitaram a rara oportunidade e casaram-se na “Porta da Esperança”, aberta pela sexta vez desde 2013.

“Para um relacionamento, esta parede não existe, para o amor não há fronteiras”, disse a noiva após trocar votos e as alianças. Infelizmente Evelia, de 27 anos, e Brian, de 26, só tiveram 3 minutos para oficializar a cerimónia, tendo de voltar a separar-se depois disso.

“Estou feliz e triste ao mesmo tempo, porque agora tenho de ir embora”, disse Evelia à AFP. “Passei muito tempo à espera deste momento. Acredito que a esperança é a última coisa a morrer, e isto é uma prova de que as coisas são possíveis”, acrescentou.

Segundo Brian revelou ao The Daily Aztec, o casal conhece-se há três anos e já estava junto há quase dois antes de ser separado. Embora não se conheça os motivos, sabe-se que Brian não tem permissão para entrar no México e Evelia não tem visto para entrar nos Estados Unidos da América. “Foi uma oportunidade inacreditável”, afirmou o noivo. “Estou muito grato a todos os que tornaram isto possível”.

O casal fala por telefone diariamente e, apesar de agora se encontrarem casados, não poderão viver juntos até que Evelia consiga ter um visto que lhe permita viver nos EUA, um processo que pode levar mais de um ano, de acordo com o jornal Los Angeles Times.

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